O e-commerce brasileiro faturou mais de 44 bilhões de reais em 2016, número que aponta para um crescimento de 7,4% em relação ao ano anterior. Por mais que, à primeira vista, esses números pareçam interessantes aos mais de 450 mil sites do comércio eletrônico nacional, a verdade é que o potencial do setor ainda não é adequadamente explorado. E a explicação está em uma palavrinha que é quase um mantra no país dos cartórios, do oceano de tributações e do preenchimento interminável de papéis: burocracia.

Somos a 42ª nação mais conectada do mundo, passamos cerca de 4 horas on-line diariamente (praticamente o dobro do tempo de sul-coreanos e britânicos) e quase 80% dos brasileiros usam smartphones. No entanto, mesmo com todos esses números, a contribuição da internet para o crescimento do PIB é de apenas 2%.

Determinadas medidas governamentais (como a recente mudança no recolhimento do ICMS pelo varejo eletrônico) e a ausência de tecnologia adequada no setor justificam essa baixa participação. Entretanto, ao contrário do que muita gente pode pensar, é sim possível reduzir burocracias em vendas no comércio eletrônico e alavancar sua loja on-line. Quer saber como? Acompanhe nossas dicas!

Desenvolva um layout intuitivo

Muitas vezes, a burocracia na loja virtual é criada pelo próprio empreendedor. Afinal, atrair o consumidor digital já é um tanto quanto complicado. Entretanto, é no momento da navegação no site que as possibilidades de vendas adquirem contornos dramáticos. Segundo estudos da consultoria SumAll, um consumidor leva entre 30 e 45 segundos para decidir se permanece ou não em uma loja virtual para realizar a compra.

Sabendo disso, cabe à empresa expor seus produtos ou serviços de uma forma simples, informativa, atraente e prática, lembrando que a mínima dificuldade nesse processo já pode ampliar suas estatísticas de abandono de carrinho. E você não quer que isso aconteça, certo?

Na prática, porém, muitos sites de e-commerce conseguem surpreendentemente fazer o mais difícil: com layouts confusos, poluição visual e textos desconfigurados, cliques que resultam em aberturas sucessivas de páginas e em uma batalha ininterrupta para fechar pop-ups que aparecem a todo o momento na página. Ao ter que lidar com tudo isso, o consumidor fica exausto.

O ideal é, em vez disso, desenvolver um layout claro, clean, informativo e, de preferência, que permita que todo o processo de compra seja feito em no máximo 2 telas — tela de decisão e gateway de pagamento.

Implemente sistemas integrados

Em muitas empresas, o setor jurídico analisa contratos referentes a vendas já canceladas pelo time comercial, o marketing desenvolve ações publicitárias sem dialogar com a área de compliance e a gestão de pessoas não organiza treinamentos porque nunca sabe ao certo o orçamento da área. Esse tipo de problema acontece pela falta de integração de sistemas, que gera uma avalanche de ligações entre setores, perda de tempo e, é claro, muitos erros.

Mas como exatamente tornar seu comércio eletrônico mais ágil? Não tem mistério: comece integrando sistemas para unir setores responsáveis por diferentes partes dos processos. Esse é o primeiro passo para a transformação digital.

Use a assinatura eletrônica

Pense bem: quantas horas você gasta assinando documentos semanalmente? E anualmente? E se somar todo o tempo que seus gestores e funcionários gastam assinando documentos, procurando contratos e arquivando consolidações contábeis? É até curioso observar que, em plena era da mobilidade, ainda existem empresas que trabalham de forma analógica em sua gestão de documentos, gerando burocracia desnecessária ao comércio eletrônico. Com isso, a produtividade cai, os custos aumentam e, obviamente, a margem de lucro é reduzida.

Você pode eliminar esse caráter documentocentrista da sua loja on-line com uma plataforma eletrônica de assinatura de documentos, uma vez que a assinatura eletrônica é juridicamente válida e usa recursos de segurança da informação similares aos dos bancos. Boas soluções aceitam o certificado digital ICP-Brasil e dispensam inclusive o reconhecimento de firma. Não tem como fugir: para desidratar a burocracia de seus processos, é preciso inovar.

Automatize processos de pagamento

A automatização de sistemas de pagamento envolve necessariamente a integração eletrônica de aplicações contábeis, carteira de clientes e fluxos financeiros da empresa. Com isso, o fechamento de uma venda gera automaticamente um acréscimo no ativo circulante da loja. Essa adição, por sua vez, resulta no lançamento do valor no fluxo de caixa (pagamento à vista) ou na conta de recebíveis (a prazo).

O importante é ter em mente o seguinte: quanto mais eletrônicas forem as operações de pagamento adotadas pelo negócio, menores se tornam os riscos de erros e maior será a produtividade dos profissionais.

Trabalhe com diversas transportadoras

Boa parte das entregas do e-commerce tem os Correios como operador logístico. Segundo pesquisas, cerca de 40% das entregas no varejo eletrônico nacional são feitas pela estatal. Entretanto, o iminente fim do e-Sedex, que atualmente só opera por força de uma liminar da Justiça Federal, já sinaliza aos gestores do comércio eletrônico a necessidade de montar um mix de transportadoras para levar sua mercadoria aos clientes por meio de diferentes estratégias. Ficar refém dos Correios ou de um único transportador é burocratizar desnecessariamente as operações.

Pensando nisso, agregue uma lista de transportadoras de prestígio e trabalhe o relacionamento de longo prazo. Você pode angariá-las por meio de pesquisas em sites de defesa do consumidor, comparação entre tabelas de frete e até ações benchmarking, descobrindo quais são os transportadores usados pela concorrência. Com uma lista à disposição, você consegue personalizar entregas de acordo com a natureza dos produtos, os destinos ou os tipos de frete, reduzindo seu custo médio. Esse detalhe vai tornar seu comércio eletrônico muito mais competitivo.

Sabendo que produtos maiores possuem um custo de transporte elevado por causa do fator de cubagem, você pode negociar para, em troca de pagamento à vista, a transportadora isentá-lo da devida taxa. Nesse cenário, com um mix mais extenso de transportadoras, fica mais fácil encontrar uma estratégia diferente para cada produto. Isso sem falar na oferta de serviços de frete distintos, como entrega personalizada e click & collect, que permite entregar o produto em postos avançados, lojas e até bancas de jornais.

Adapte ou implemente sistemas contábeis

Um dos maiores golpes da burocracia brasileira no comércio eletrônico veio da Emenda Constitucional 87, de 2015, que mudou as regras de recolhimento do ICMS. Desde 2016, o ICMS deixou de ser recolhido segundo a alíquota do estado de origem, passando a ser definido por um cálculo extenso e confuso, que envolve pagamento do tributo no estado da venda e no local de destino da mercadoria.

Basicamente, a alíquota interestadual é de 7% para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além do Espírito Santo. A alíquota sobe para 12% para as regiões Sul e Sudeste. Há diferenças entre a alíquota interestadual e a alíquota interna do estado de destino. O resultado, por sua vez, deve ser partilhado em 60% para a localidade de destino e 40% para a localidade de origem. Isso é válido para 2017. Já em 2018, 80% deve ir para o estado de destino e 20% para o estado de origem. É realmente complicado.

Para fugir dessa burocracia, é fundamental que o varejo eletrônico busque atualizar seus softwares contábeis ou implementar soluções que façam todos esses cálculos automaticamente, gerando a guia de recolhimento preenchida, pronta para ser paga.

Agora responda: seu comércio eletrônico é excessivamente burocrático? Quais processos poderiam ser otimizados? Em que medida a legislação tributária tem contribuído para engessar sua loja on-line? Deixe um comentário aqui no post e compartilhe suas experiências!

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