Entenda a nova mentalidade do mercado que digitaliza todas as funções e tarefas

Soft economy: entenda o que é essa nova mentalidade do mercado

A tecnologia mudou completamente a forma como as relações acontecem dentro da nossa sociedade. Não importa o segmento ou o tamanho da sua organização, se adaptar ao cenário cada dia mais digitalizado é fundamental para ter sucesso. Parte desse trabalho consiste em conhecer e entender os impactos de novas mentalidades em surgimento no mercado, como a que alguns especialistas têm chamado de "soft economy".

Com a transformação digital, novas soluções e serviços têm contribuído para que conceitos como esse sejam colocados em prática. Entender mais sobre soft economy não só pode trazer uma perspectiva atual importante da economia como também ser um importante parâmetro para empresas se prepararem e enfrentarem os desafios criados pelas novas dinâmicas estabelecidas no mercado.

Para esclarecer as suas dúvidas e se certificar de que sua empresa está preparada para o futuro, convidamos Ligia Zotini, pesquisadora de futuros e fundadora do Voicers, um ecossistema digital de educação que busca democratizar o acesso às tecnologias e tendências futuras, para explicar mais sobre o tema. Confira!

O que é soft economy?

Antes de mais nada, é preciso entender do que se trata o conceito de soft economy. O surgimento está ligado ao uso cada vez mais frequente de diferentes tecnologias no dia a dia de qualquer pessoa. Funções que eram estritamente manuais até pouco tempo já foram digitalizadas e contribuem para a democratização digital. E um desses impactos aconteceu na economia.

Com novas tecnologias, alguns cenários mais rígidos, centralizados e dependentes de trabalhos manuais são deixados de lado. Surge, assim, a ideia de soft economy. Como a tradução literal para o português indica, essa é uma economia mais "suave", "flexível" e "leve". Para Ligia, esse é um processo diretamente relacionado ao uso constante das tecnologias.

"A soft economy representa o conjunto das novas economias que foram aceleradas por diferentes tecnologias. Ela representa uma evolução, é um produto da 4ª Revolução Industrial, enquanto o que é conhecido como hard economy, que é considerada a economia clássica, é resultado das três primeiras revoluções. No momento em que as novas tecnologias mudam uma sociedade, as economias nascem com características de acordo com o processo de revolução iniciado".

Quais as suas principais características?

Para entender melhor sobre a aplicação da soft economy, é importante conhecer as suas principais características. Afinal, são elas que direcionam os próximos passos para o futuro. Para começar, toda a lógica por trás do conceito é digital, descentralizada, colaborativa e adaptável. Em vez de dependência para ter o acesso ao serviço, o que se ganha é facilidade para aproveitar todos os benefícios.

Para a pesquisadora, são quatro características principais que diferem a soft economy dos outros modelos. "Existem inúmeras maneiras de traduzir o conceito de soft, mas o mais comum é entender como algo flexível e sutil. As principais diferenças em relação aos outros modelos são infraestrutura, finanças, conhecimento e relações. Tudo isso colocado em prática a partir de uma flexibilidade consciente para lidar e superar todos os cenários futuros possíveis."

Ligia ainda reforça que é importante não descartar completamente os conceitos anteriores. A flexibilidade que faz parte do conceito de soft economy também deve estar presente para que um negócio possa transitar entre os diferentes modelos de economia.

"A hard economy não é necessariamente ultrapassada. Tem a dureza e a rigidez de um sistema, mas ao mesmo tempo é um ecossistema sólido. E por mais que pareçam opostos, é preciso transitar entre os modelos, já que o futuro pode ser um tanto quanto caótico, com novos entrantes e novas tecnologias, exigindo sabedoria para adquirir novos conceitos sem descartar os anteriores".

Além disso, a fundadora do Voicers destaca que a soft economy, assim como qualquer outro modelo de economia, tem uma relação direta com o comportamento das pessoas. Sem uma mudança comportamental na sociedade como um todo, essas mudanças no campo econômico não aconteceriam.

"Não se tem economia digital se as pessoas não forem digitais. Não se tem economia do acesso se as pessoas não forem acessíveis ou criativas. E você não vai migrar novas economias se você não se permite ter repertório sobre elas." - comenta Lígia. "Com a pandemia, pessoas migraram em massa para a economia digital. Muita gente nunca tinha comprado digitalmente nada. Nunca tinha experimentado um aplicativo ou plataforma de entregas, ou mesmo fazer reuniões pelas plataformas de videoconferência. É um ganho que se adquiriu." 

O que esperar dessa nova forma de economia?

Uma economia que pode acontecer em qualquer lugar, plataforma ou momento, sempre impulsionada pela tecnologia. A partir de sua caracterização, é de suma importância também entender o que empresas e indivíduos devem esperar desse novo modelo de economia em ascensão e como o mesmo molda o mercado.

Redefinição da relação entre humanos e máquinas

Levando em consideração a já tão discutida dicotomia entre humanos e máquinas no futuro, Lígia reforça que "todos os processos repetitivos e com muitos dados a máquina fará melhor do que humanos." Mas mesmo se houver o desaparecimento total de trabalhos mais manuais, seremos cada vez mais convidados a nos voltar para atividades puramente humanas - dedicando mais tempo para encontrar maneiras de sermos melhores indivíduos e profissionais (aí entram as soft skills, por exemplo), desenvolvendo uma mentalidade cada vez mais estratégica e criativa para impulsionar o mercado e trabalhando diretamente com as nossas fraquezas ou vulnerabilidades para conseguir navegar em um universo com tantas informações (e desinformações).

"Temos tecnologias chegando em massa em 5, 10 e 20 anos. Não precisamos ser experts em tudo, mas você como indivíduo precisa estar consciente de que estão chegando e de onde você quer estar. Não temos domínio sobre o desenvolvimento dessas máquinas e tecnologias mas temos total domínio sobre o nosso próprio desenvolvimento. O futuro tem muito mais a ver com autoconhecimento do que você pode imaginar" - comenta a futurista.

Mais praticidade, segurança e transparência

Outro ponto reforçado por Lígia é o papel da soft economy na criação de um ecossistema mais transparente e seguro. Só não vai migrar para esse modelo aqueles que não quiserem que a transparência seja colocada em prática, por exemplo. Agora, imagine o impacto desse conceito no ponto de vista do combate à corrupção ou situações ilícitas? Milhares de pessoas vão poder fazer parte do ecossistema e rapidamente poderão encontrar erros e acertos.

Um exemplo que se relaciona com o aumento de segurança e praticidade é o trabalho que empresas SaaS como a DocuSign, com a digitalização do processo de assinaturas. "Eu acredito muito no que fizeram pela economia digital. Vai muito na linha da democratização do acesso. Vocês desmaterializam uma série de coisas que ficavam no mundo físico e tudo o que está no mundo físico requer transporte, manuseio, cuidado, arquivamento, está passível de ser destruído, perdido ou trocado."

Novas formas de economia, novos modelos de trabalho

A soft economy é, portanto, um movimento fundamental para criar um ecossistema mais democrático e acessível - um reflexo das mudanças trazidas com a tecnologia e que pode modificar completamente a forma como as empresas trabalham. Seja com a digitalização de documentos e assinaturas, seja com a criação de processos menos burocráticos.

Pensando justamente nisso, é fundamental que organizações se mantenham atentas aos novos modelos de trabalho que vem surgindo e podem mudar o funcionamento do ambiente corporativo. Um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que o modelo de trabalho home office deve aumentar em 30% nos próximos meses. Outro estudo, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, mostra que 70% dos profissionais no Brasil desejam continuar trabalhando no modelo remoto.

Para gestores que pretendem preparar seu negócio para o futuro, aumentar a produtividade de equipes e melhorar seus resultados, entender mais sobre os novos modelos de trabalho é um primeiro passo importante.

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