Transformação digital é a palavra de ordem no mundo capitalista moderno. E os que se mantiveram alheios a essa revolução silenciosa pagaram/vem pagando um alto preço por isso: tanto quanto as videolocadoras da década de 90 foram dizimadas com o surgimento dos serviços de streaming, a era dos táxis, na forma como conhecemos hoje, parece também estar cada vez mais próxima do fim com a eclosão dos serviços de contratação de motoristas por aplicativos.

Isso é disrupção, um processo intimamente ligado ao sistema capitalista que, segundo o teórico Joseph Schumpeter, funciona em ciclos inescapáveis (e devastadores). Cada nova revolução do mercado destrói o ciclo anterior e toma seu mercado, em uma espécie de darwinismo corporativo eterno que concede apenas aos mais ágeis o privilégio de sobreviver à sede de renovação do tempo.

Aliás, você sabe o que é disrupção? Sua empresa tem gestão de disrupção?

A era em que “the newest” de hoje é o antiquário do dia seguinte

Nos últimos anos, o termo passou a ser usado incorretamente, como um autoelogio a qualquer empresa que se julgue inovadora. Mas disrupção não é sinônimo de inovação. Na verdade, toda empresa disruptiva é inovadora, mas o contrário não necessariamente é verdadeiro.

Termo citado pela primeira vez por Clayton Christensen, em 1995 (e depois aprofundado por ele mesmo em muitos artigos recentes), disrupção é a capacidade de criar um novo produto/serviço que rompa com o “status quo” do mercado, desestabilizando os concorrentes tradicionais.

Trata-se de um processo contínuo (e não uma mudança fixa), evolvendo produtos/serviços mais simples, porém, mais baratos e eficientes, o que costuma levar os concorrentes já estabelecidos a graves dificuldades de sobrevivência.

What’s next?

O que você acharia de entrar em uma loja, cujo modelo de varejo físico fosse totalmente focado nas tecnologias móveis, em que bastaria o download do app da empresa para que você tivesse uma jornada de compra totalmente digital: você entra na loja, escolhe seus produtos e paga com um clique no app instalado em seu smartphone. Pois bem, para o terror do varejo tradicional, isso já existe e foi criado pela Amazon (Amazon GO).

A mesma Amazon havia criado, meses antes, um assistente pessoal inteligente, levando inteligência artificial a milhares de casas. E o que dizer da Pacific Northwest National Laboratory, que conseguiu, com o auxílio da tecnologia, recriar as condições geológicas naturais para transformar dejetos humanos em petróleo? Isso é disrupção.

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”

O ensinamento (erroneamente atribuído à Darwin) é do pesquisador Leon Megginson e nos diz muito sobre a necessidade de mudar a forma como sua empresa se movimenta no mercado. A era da disrupção não aceita mais “elefantes corporativos”, pesados, lentos, monótonos e burocráticos. Estes, cedo ou tarde, serão expurgados por um mercado formado por novas empresas, transformadoras, criativas e flexíveis.

Em um post publicado há alguns meses, sobre cultura da inovação, mostramos que é possível romper com o status quo dos processos e produtos obsoletos, redimensionando sua empresa no mercado. Citamos o caso da GE, que abandonou as lâmpadas de carbono, tal como fabricava no início do século XX, para dedicar-se a modernos sensores acoplados em turbinas de avião e locomotivas, desenvolvidos no intuito de aumentar a vida útil de geradores de energia por meio da análise de dados. Mas os exemplos não se encerram aqui.

A Cielo detectou precocemente que suas máquinas de cartão estariam em risco com o iminente desenvolvimento do sistema de pagamento via NFC (inseridos nos celulares, permitindo o registro do pagamento pela simples aproximação de um dispositivo móvel). Consequência dessa radiografia futurista: a empresa é pioneira no Brasil na adoção da tecnologia NFC. É preciso ser visionário e flexível. E é preciso ter capacidade de execução rápida.

Mas à medida que a disrupção se torna o novo paradigma de sobrevivência empresarial, como incorporar um novo modelo de gestão estratégica baseado em implementações ágeis e focado na mudança como um processo contínuo?

Dicas para trazer a gestão da disrupção para dentro da sua organização

1. Entenda que o líder deve ser o melhor aprendiz de uma empresa

Uma empresa disruptiva precisa ser extremamente ágil para mudar…e isso exige líderes igualmente ágeis (empresa ágil/líder ágil/capacidade de identificação de mudanças/ competência para implementação).

Gestores ágeis são fundamentalmente humildes, dispostos a aceitar feedbacks e apaixonados pela reinvenção diária. Essa paixão deve ser transmitida aos seus colaboradores por meio do endomarketing, incentivos materiais, estímulo à qualificação e laboratório de experimentações.

2. Crie uma estrutura flexível

Não adianta o líder ser ágil e visionário se suas tecnologias são obsoletas (e seus processos, engessados e limitadores). Um exemplo seria insistir em lidar com gestão de documentos baseada em arquivos físicos: gasta-se mais com papel e cartuchos, o percentual de extravios é alto, o tempo desperdiçado no arquivamento e busca desses documentos é elevado…ou seja, não faz sentido! Isso sem falar no tempo despendido semanalmente assinando contratos e formulários físicos.

Quer migrar para o mundo da transformação digital? Comece adotando uma plataforma de assinatura eletrônica, passo essencial para que toda a gestão de dados de sua empresa seja 100% digitalizada. Afinal, não adianta investir em serviços em nuvem e soluções mobile se frequentemente você e seus colaboradores têm que imprimir documentos apenas para assiná-los e tornar a digitalizá-los.

3. Radar Preditivo: desenvolva uma rede eficiente de informações para identificar tendências

Será que a Blockbuster tinha algum sistema de gestão da inovação, que lhe permitiu ver que seu modelo de negócios estaria com os dias contados se alguma mudança radical não fosse implementada? Será que o setor hoteleiro tinha um mapeamento da iminente chegada de serviços de compartilhamento de quartos por app?

É preciso ter em sua empresa atividades de pesquisa (benchmarking, acompanhamento das novas tecnologias lançadas em feiras no exterior, qualificação tecnológica, trabalho com análise de dados, monitoramento de redes sociais), além da adoção rápidas de tendências. O mercado não perdoa a mentalidade do “esperar para ver.”

4. Aposte em parcerias

Desenhar conjuntamente com outras empresas novas iniciativas e modelos de negócios é um elemento em comum quando estudamos organizações com boa gestão de disrupção. Seria o caso da parceria entre AB InBev e Otto (empresa de tecnologia adquirida pela Uber), união estratégica selada para possibilitar o desenvolvimento de uma tecnologia que viabilizasse a primeira viagem de uma transportadora sem condutor.

O projeto (bem-sucedido) envolveu o transporte de cerveja por um caminhão autônomo rodando por uma rodovia do Colorado. Uma boa metodologia de inovação de negócios obrigatoriamente passará pela realização de parcerias estratégicas como essa.

5. Deixe de ver a disrupção como ameaça: entenda-a como oportunidade para aprender e adaptar-se

Muitos gestores enxergam a gestão disruptiva muito mais como uma ameaça do que como uma oportunidade. É preciso mudar essa mentalidade imediatamente. As organizações não devem evitar mudanças profundas que sugiram disrupção, mas incorporá-las em seus planejamentos estratégicos, equalizando a relação entre negócio vigente e consequências futuras do processo contínuo de transformação digital dos mercados.

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