Design thinking nas PMEs: quais os benefícios e como aplicar?

A expressão “em time que está ganhando não se mexe”, que já foi uma prática de muitos negócios, é algo que veio abaixo com a transformação digital. E isso principalmente com a possibilidade de usar o design thinking nas empresas, seja para repensar produtos ou criar novas soluções de acordo com a necessidade de clientes.

Mas pensar que o design thinking serve apenas para grandes empresas é um erro comum. Pequenos e médios negócios se beneficiam quando colocam essa metodologia em prática. Inclusive, as PMEs têm até mais facilidade de usar a abordagem.

Na verdade, para o profissional de inovação e Design Thinker Raoni Pereira, a prática beneficia a sociedade como um todo: “o design thinking nas empresas já é uma realidade, mas ele pode ser usado em várias áreas, como ONGs e governos — existem projetos sociais com essa abordagem, afinal, a sociedade lida com problemas complexos”.

Como uma PME pode se beneficiar com o design thinking? Quais são os desafios e vantagens? Conversamos com Raoni sobre o assunto. Continue a leitura para entender o que é e como incorporar o design thinking à sua empresa.

O que é design thinking?

O design thinking é uma abordagem que visa resolver problemas complexos e produzir inovação a partir do olhar humano e da empatia. Ou seja, não se trata de forçar um produto em seus consumidores, mas sim de essa empresa usar o design thinking para criar o melhor serviço para o cliente, dando aquilo que, de fato, ele precisa. Tem ganhado muito destaque nos últimos anos no mercado corporativo.

“Essa abordagem começou no fim do século passado e passou a aparecer mais nos anos 2000 por conta de um empresa americana, a IDEO, que ficou muito boa no processo de produzir novas ideias, produtos e serviços ao entender o real problema das pessoas, sempre investigando e observando”, explica o especialista.

Assim, uma vez que se capta a essência do que é preciso, trabalha-se na solução centrada no fator humano, ou seja, colocando-se no lugar do público-alvo.

Qual é o papel do design thinking nas empresas?

Até o começo dos anos 90, era comum existir menos opções de produtos para os consumidores. Além disso, eles tinham pouca voz para poder transformar e ajudar a criar aquilo que consumiam. Afinal, a internet era uma possibilidade para poucos e as redes sociais ainda estavam em estágios embrionários.

Porém com a democratização das redes e da internet, as pessoas ganharam voz, a experiência do usuário ocupou um lugar de prioridade e atender às necessidades reais das pessoas virou uma questão de sobrevivência no mercado.

Pense no mouse que utilizamos todo dia ao ligar o notebook ou desktop. Parece algo óbvio, certo? Mas não era, até a IDEO, empresa citada por Raoni, e a Apple se juntarem e lançarem o primeiro modelo.

Assim, o papel do design thinking nas empresas é explorar a inovação, fazendo com que os negócios ganhem mais diferenciais competitivos, trazendo longevidade a eles. Para PMEs, por exemplo, a inovação pode estar em um novo método de pagamento, no atendimento ao cliente ou no uso da assinatura eletrônica para agilizar o fechamento de contratos.

Ou seja, o design thinking em uma empresa facilita alguns processos ou reinventa produtos e serviços - sempre trabalhando com foco no cliente.

Quais são as etapas de aplicação do design thinking nas empresas?

Para aplicar o design thinking em uma empresa, Raoni Pereira fala no método duplo diamante: “na prática, vamos criar opções e fazer escolhas, conjugando o pensamento divergente e convergente. Devemos divergir entendendo as opções e convergir na escolha, definindo a ideia a ser trabalhada”. Esse método pede 7 fases, e o especialista detalha todas elas na sequência.

1. Entendimento

É preciso saber qual é o desafio. Raoni sugere a metodologia do “conte para um ET ou para a sua avó o problema”. É preciso esmiuçar o briefing, porque se trata de um processo colaborativo; quanto mais insights chegarem, melhor.

2. Pesquisa

Aqui, devemos fazer a observação, conversar com os interessados e realizar um mergulho experimental. “Pensando que o desafio é redefinir o transporte de uma cidade. Então, devemos entender as dores — conversar no ponto de ônibus com os usuários e também pegar esse meio de transporte, sentindo na pele quais são as necessidades a serem atendidas”, comenta Pereira.

3. Ponto de vista

A partir das observações, deve-se colocar o fator humano por trás do problema. Aplicar a técnica do “como podemos ajudar?” nesse desafio.

4. Ideação

Para Raoni, essa etapa é a que melhor desmistifica que a criatividade seja um dom. “Depois de todas as etapas anteriores, qualquer pessoa pode chegar com boas soluções ao desafio proposto”.

5. Prototipagem

É quando materializamos as ideias. “Lembrando que existem protótipos de baixa fidelidade e de alta fidelidade. Mas ainda é um processo exploratório”, define Raoni. Uma baixa fidelidade poderia ser um esboço, um desenho, enquanto a alta fidelidade corresponderia a um modelo, site e entre outras opções.

6. Teste

Feito o protótipo, é o momento de mostrar às pessoas, escutá-las e lançar algo em versão beta. “Se for um site, vale medir quem está clicando, ligar para essas pessoas e entender sobre a experiência delas”.

7. Iteração

Ao entender como está a experiência das pessoas, podemos melhorar o protótipo até chegar a uma solução que faça a diferença na vida do público. A cocriação com o público passa a ser realidade.

Uma observação importante de Raoni Pereira é que “essas fases meio que se misturam, não existe receita de bolo, vamos intercalando todas as 7 fases”. Ou seja, entender, melhorar, testar até chegar ao ideal, tudo ao mesmo tempo.

Como colocar essa metodologia em prática?

O interessante do design thinking é que ele foi feito para ser ágil, barato e acessível. Além de colocar o cliente no centro da ação, a metodologia entende que vale a pena lançar um MVP (Minimum Viable Product, ou produto mínimo viável) e aperfeiçoá-lo.

Para tanto, Raoni fala da necessidade de ir a campo, entender e validar as hipóteses. “As empresas digitais viram que é melhor descobrir do que sair implementando, esse é um caminho interessante. Ter evidências fortes de estar na rota certa ao validar hipóteses é o primeiro passo”.

Nesse ponto, o especialista sugere dois livros para começar a implementação de design thinking, Manual da Startup e A Startup Enxuta. Além disso, algumas ferramentas de inovação são necessárias, como brainstormings, mapas de empatia e mentais, antes da prototipagem e cocriação com clientes.

E quanto aos benefícios de aplicar design thinking nas PMEs?

Usar o design thinking nas empresas é lançar mão de uma metodologia acessível, rápida, barata e adaptável, que vai colocar seu público em primeiro lugar. Entender o que é preciso antes de lançar poupa recursos e faz com que sua empresa coloque no mercado aquilo que vai sanar dores e trazer inovação.

Raoni também comenta que "no processo de inovação precisamos olhar para três coisas: o que é desejável pelas pessoas, o que é tecnicamente possível e o que é financeiramente viável. As empresas são desenhadas para olhar para o que é tecnicamente possível e o que é financeiramente viável. Nisso elas são muito boas, mas elas têm essa lacuna de se pensar no que é desejável pelas pessoas."

Mais do que uma abordagem, é, portanto, uma mudança de mentalidade. Conforme o especialista ressalta, "hoje não cabe mais fazer um esforço enorme para lançar um produto que ninguém quer".

Quais são os desafios para as PMEs?

Basicamente, é desapegar dessa ideia de jogar no mercado uma hipótese que não foi previamente estudada e validada pelo público alvo. “As empresas são desenhadas em um formato muito linear. O design thinking vem para quebrar um pouco isso”, explica Raoni.

Como mencionado, todas as etapas vão acontecendo quase ao mesmo tempo, não havendo muita linearidade. É preciso romper com esse modelo mental de passo a passo.

Ao mesmo tempo, felizmente, para médias e pequenas empresas a inovação com o design thinking é mais simples. Isso porque a cultura da empresa é mais simples de ser modificada e há mais espaço/ facilidade para experimentar, diferentemente de grandes companhias, que têm estruturas menos maleáveis. Inclusive, conforme Raoni afirma: “essas empresas maiores acabam criando estruturas menores, que chamamos de spin-offs, para que a cultura de inovar seja mais rápida e menos resistente”.  

A importância de uma gestão de processos eficiente 

Como percebido ao longo do artigo, o papel do design thinking é explorar a inovação, fazendo com que empresas ganhem mais diferenciais competitivos no mercado. 

Mas para que a adoção do design thinking traga o máximo de resultados, assim como qualquer outra iniciativa pensada para aprimorar serviços e impulsionar os negócios, é necessário haver uma gestão de processos eficiente na empresa. 

Quando pensamos principalmente em pequenas e médias empresas, uma boa gestão de processos pode ser divisora de águas. Mais do que ter os recursos humanos, financeiros ou técnicos, é necessário saber como os aplicar estrategicamente - reduzindo custos, economizando tempo e acelerando fluxos de trabalho.

Pensando no impacto positivo de uma gestão de processos eficiente nas PMEs, desenvolvemos um guia completo com o que você precisa saber sobre o assunto: como uma gestão de processos eficiente funciona? Quais métricas devem ser monitoradas e como as calcular? Além de casos de sucesso de PMEs que otimizaram a sua gestão de processos e viram resultados significativos. 

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