Por mais de uma década, a principal palavra-chave no contexto mercadológico do Brasil foi qualidade. Há alguns anos, no entanto, prover qualidade a processos, produtos e serviços já não é o bastante, pois essa característica deixou de configurar um diferencial. O consumidor moderno exige soluções criativas e personalizadas para seus problemas. É nesse ponto que entra a gestão da inovação.

No intuito de posicionar melhor as empresas em um mercado extremamente competitivo, em que o consumidor “omnichannel” tem cada vez mais acesso à informação e ao oceano de possibilidades de compra que a internet proporciona, a gestão da inovação passou a interligar empresas, governos e comunidade acadêmica, todos em busca de aceleração de resultados e ganho de eficiência. E a tecnologia tem sido matéria-prima para criar um infinito de perspectivas de reinvenção corporativa.

Em uma era em que microssensores são introduzidos na linha de montagem para automatizar processos, em que drones orientam pulverizadores sobre a utilização exata de defensivos em cada hectare e em que os times de vendas recorrem à análise de dados para saber quando um cliente precisa de um produto, a capacidade de inovação se transformou no limiar que divide os negócios vencedores dos que não obtiveram sucesso.

De que lado você quer ficar? Descubra aqui o que é gestão da inovação e os principais passos para aplicar essa estratégia em sua empresa!

O que é gestão da inovação?

Inovação é quando uma ideia inédita materializada consegue romper com o status quo do mercado, trazendo resultados de extremo impacto à empresa e, por consequência, desequilíbrio à concorrência. Trata-se de uma ação, ou um de conjunto de ações, capaz de gerar transformações substanciais que melhoram operações, elementos, sistemas e técnicas de mercado.

Nessa perspectiva, a gestão da inovação nada mais é do que a estruturação de um processo concreto de criação de novas soluções, dentro de uma cultura sistemática e contínua de fomento ao pioneirismo. Baseando-se em estratégias inventivas e criativas relativas à criação ou ao aprimoramento de ferramentas e serviços, essa prática gerencial busca novos caminhos para alcançar um determinado objetivo.

A inovação ganha sentido em razão da sua íntima relação com a competitividade no mundo dos negócios. As empresas precisam permanentemente buscar a excelência harmônica entre o desejo do consumidor e o seu produto/serviço oferecido. Precisam também produzir cada vez mais com menos recursos. Precisam errar cada vez menos. E tudo isso trabalhando no limite da tecnologia existente.

O resultado dessa perseguição incansável pela otimização de operações, que tem como aliada os recursos tecnológicos disponíveis, é o que nivela as empresas dentro da hierarquia competitiva do mercado. A inovação, portanto, tem a função primordial de recriar a empresa a todo tempo, trazendo novas soluções, assim como processos mais ágeis, certeiros e baratos.

Acha que a sua empresa não inova como deveria, nem utiliza todas as possibilidades de tecnologias existentes na atualidade? Confira a seguir um passo a passo para fazer de sua organização uma fábrica de ideias que se transformam em eficiência, produtividade e lucratividade!

O passo a passo da gestão da inovação

1. Diagnostique os pontos frágeis da empresa e as suas necessidades de aprimoramento

A empresa precisa ter clareza sobre em que patamar ela se encontra quando o assunto é gestão da inovação, já que isso permite que o negócio desenvolva ações mais direcionadas e objetivas. Essa autoanálise deve ser feita por meio de pesquisas de mercado, análise da concorrência e medição de indicadores (no plano das estratégias, esforços e resultados).

Tal diagnóstico tende a ser facilitado com a criação de um “laboratório de TI e inovação”, cuja responsabilidade é liderar ações de caráter inovador. Para montar esse setor, a empresa pode contar com os seus profissionais de tecnologia da informação ou, caso não seja possível, tem a alternativa de contratar uma consultoria capaz de dar suporte inicial para a implantação.

É importante que a autoanálise englobe a implementação de benchmarking em relação às empresas mais inventivas de seu segmento. No estudo dos indicadores, uma ferramenta muito utilizada atualmente para essa finalidade é o chamado Octógono da Inovação, composto por um conjunto de 24 perguntas divididas em 8 dimensões (liderança, estratégia, pessoas, estrutura, relacionamento, processos, cultura e funding).

Lembre-se também de que a inovação não pode se limitar a uma mera mudança de processos. Inovar corresponde a transformar uma determinada cultura, modificação esta que passa, inclusive, por alterações na estrutura organizacional da companhia. Essa estrutura deve privilegiar a descentralização e a autonomia dos profissionais da empresa, dando a eles a liberdade necessária para criar e tomar decisões.

2. Formule um plano de inovação com base em metas e estratégias de longo prazo

Uma vez consciente do grau de inovação de sua empresa, é preciso determinar estratégias e metas que quantifiquem o processo de transformação corporativa. Isso passa, por exemplo, pela implementação de novas tecnologias (como assinatura eletrônica para abolir a gestão e a assinatura física de documentos), criação de produtos alinhados às necessidades identificadas dos consumidores, participação em feiras de negócios etc.

Inclua também em seu plano de gestão da inovação o estímulo ao desenvolvimento de projetos multifuncionais com a participação de colaboradores de diversos departamentos e cargos variados. Essa multiplicidade de formações ajuda no processo criativo, uma vez que possibilita a apresentação de diferentes pontos de vista sobre determinado aspecto e a atuação conjunta dos funcionários.

Outra ideia é trabalhar seus novos produtos, serviços ou processos operacionais em parceria com fornecedores, clientes e até com empresas que atuam em segmentos que possam, de alguma forma, ser associados ao seu. Essa atuação global reduz custos, mitiga riscos e propicia a novidade, além de potencializar a troca de procedimentos e ferramentas tecnológicas.

3. Crie um programa formal de incentivo à inovação

Um excelente turning point na transição de uma empresa passiva para outra, protagonista de seu mercado, está na criação de um programa de recompensas por ideias geradoras de inovação. Se você é gestor, pode criar oficinas e semanas especiais para que os profissionais apresentem insights de ruptura em seu segmento (mediante premiações como sorteio de viagens, bonificações, promoções etc.).

4. Capacite os seus colaboradores para prepararem-se para a adoção de novas ferramentas

A inovação está diretamente relacionada ao desenvolvimento tecnológico, o que quer dizer que empresas que abrigam funcionários íntimos às mais modernas soluções da TI tendem a ser mais criativas. Portanto, contar com profissionais que, ao mesmo tempo, tenham formação em tecnologia da informação e conhecimentos sobre o funcionamento da empresa é importante para potencializar processos criativos.

Mas, para maximizar as práticas de inovação, não basta que a empresa tenha esses colaboradores, é preciso capacitá-los de maneira apropriada. E, uma vez que a sua companhia já tenha um diagnóstico de seu estágio na régua de inovação e um plano de ação, além de já ter criado estímulos ao pioneirismo, é hora de qualificar a sua equipe para uso da tecnologia.

Esse aprimoramento pode vir, primeiramente, com a conscientização sobre a importância da TI como ponto de vanguarda na competitividade empresarial. Você pode começar esse trabalho com um programa de endomarketing (exibição de reportagens e filmes que mostrem histórias de sucesso), bem como com palestras de líderes que transformaram as suas empresas com gestão da inovação.

Nesse processo de maturação, é possível recorrer também a workshops internos, cursos via web e disponibilização de livros que mostrem como fazer da tecnologia uma ponte para a reinvenção corporativa. O mais importante nesse processo é fornecer conhecimentos que qualifiquem e estimulem os profissionais a utilizarem dispositivos tecnológicos em prol da inovação.

Mostre aos seus colaboradores, por exemplo, que a simples adoção da assinatura eletrônica reduz o tempo de fechamento de contratos de clientes em 67%. Ensine-os como tirar o máximo de proveito dessa solução de aumento de produtividade nas mais variadas operações corporativas, abrindo espaço para que eles sugiram novas aplicações e usos para essa ferramenta.

5. Aprenda a ouvir os seus clientes

Está precisando de uma fonte de novas ideias? Pois não tenha dúvida de que os seus clientes são o mais poderoso núcleo de inovação que a sua organização pode ter. Na busca pelo aprimoramento das atividades empresarias com vistas à gestão da inovação, nada melhor do que ouvir os consumidores para saber o que, de fato, é preciso melhorar.

E a razão disso é muito simples: a experiência do cliente é capaz de apontar gargalos no funcionamento da empresa, os quais, normalmente, não são visualizados pelos profissionais, já que eles estão na outra ponta de todo o processo de comercialização. A partir dessa identificação, a companhia pode traçar estratégias que busquem soluções inovadoras para os problemas relatados pelos consumidores.

Dessa forma, um passo importante nessa trajetória de transição é abrir um canal de comunicação mais direto com os seus consumidores. Deixe-os livres para dizer do que eles exatamente precisam e como a sua empresa poderia ajudá-los de forma mais efetiva. Esse feedback vai auxiliar a incrementar o seu plano estratégico, além de, até mesmo a curto prazo, fortalecer a imagem da empresa.

6. Execute a atualização do parque tecnológico da empresa

Ao executar as ações indicadas nas 5 etapas anteriores, a companhia mapeou a situação atual da empresa com relação às suas práticas operacionais relacionadas à existência, ou não, de iniciativas inovadoras. Nessa perspectiva, depois de todos esses passos, a sua organização certamente saberá o que deve ser atualizado para facilitar a gestão da inovação.

Assim, a migração para a nuvem (eliminando o perigoso e obsoleto armazenamento de dados local), a utilização de sistemas unificados de gestão, o trabalho com Big Data e a adoção de um ambiente paperless são algumas das muitas possibilidades de modernização de seu parque tecnológico, passo primordial de quem quer fomentar a criatividade e a eficiência dentro dos muros da companhia.

7. Torne a inovação a regra e não a exceção

Mudar é um imperativo contínuo e deve ser seguido ininterruptamente. Isso significa que parte do capital de giro deve ser separada da organização para investir em inovação todos os meses. Trazer especialistas de fora da empresa para tratar sobre o tema também é importante. Além disso, o processo de gestão deve ser reavaliado periodicamente, visando à correção de rumos e à implementação de novos métodos.

Caso a inovação não se torne a regra, mas sim a exceção, o negócio não será capaz de implantar uma cultura da inovação. Sem essa implementação, as ações inovadoras serão sempre pontuais, de modo a funcionarem como paliativos para as demandas da empresa. Esse cenário pouco contribui para a gestão da inovação, já que, para funcionar, as práticas precisam ser sistemáticas e enraizadas no modo de pensar da empresa.

Como implementar a gestão da informação em um negócio?

Vimos, nos tópicos anteriores, quais são as etapas essenciais da gestão da inovação. Na sequência, vamos dar dicas poderosas de como implementar essa mentalidade empresarial, de forma que ela se torne uma cultura que permeie todas as práticas do negócio.

Defina os melhores canais de comunicação

Tendo em vista que é fundamental tanto ter o feedback dos clientes quanto ouvir as proposições dos colaboradores sobre o funcionamento da empresa, a gestão da inovação precisa contar com canais de comunicação eficientes. Isso requer especificar quais os meios e os formatos de interação mais acessíveis, objetivos e ágeis, que serão capazes de fornecer informações úteis para a companhia.

O primeiro passo para isso é estabelecer o que a empresa quer saber, o que evita a coleta de dados desnecessários. A partir daí, é possível criar ou reorganizar os canais de comunicação, que podem ser a realização de pesquisas de satisfação, o oferecimento de serviços telefônicos ou via chat de atendimento ao consumidor, a disponibilização de questionários de avaliação de qualidade empresarial aos colaboradores, entre outros.

Organize as informações

Não basta apenas obter os dados necessárias para implementar uma política consistente de inovação, é preciso organizar as informações de forma adequada. Isso é importante porque permite à companhia compreender quantitativa e qualitativamente as suas demandas e, em consequência disso, traçar estratégias efetivas para implementar ações inovadoras que solucionem os seus problemas.

Uma forma eficiente de realizar essa organização é a partir da gestão eletrônica de documentos. Essa prática sistematiza, bem como otimiza o armazenamento e os meios de acesso a arquivos que tramitam digitalmente, características que conferem segurança, praticidade, integração e dinamicidade ao manuseio das informações de todos os setores da empresa.

Automatize processos e ferramentas

automação de ferramentas e processos transforma a eficiência operacional da empresa. Trata-se da aplicação dos recursos tecnológicos disponíveis no mercado às mais diferentes atividades da rotina da empresa, o que otimiza consideravelmente todo o seu funcionamento. Essa prática pode ser considerada o coração da gestão da inovação, já que aplica diretamente as tecnologias existentes ao contexto empresarial.

Com a substituição de tarefas manuais por procedimentos automáticos baseados na utilização de recursos computacionais, a companhia ganha tempo e poupa dinheiro. Além disso, a inovação trazida pela automação contribui para que a corporação siga as tendências tecnológicas que caracterizam o contexto mercadológico atual e mantenha a sua competitividade.

Acompanhe a sua equipe

Para que a gestão da inovação seja capaz de se integrar à cultura organizacional da empresa, todos os colaboradores devem estar sintonizados com esse novo formato corporativo. Por isso, é muito importante que o gestor acompanhe a sua equipe de forma a dar o suporte necessário para que os funcionários não apenas estejam engajados na construção de ações inovadoras, mas também saibam como é possível desenvolvê-las.

Implementar a gestão da inovação nos processos e nas rotinas de negócio é essencial para que uma empresa seja competitiva no mercado, possa aumentar a sua produtividade e consiga elevar os seus lucros. Se colocadas em prática de forma apropriada, as dicas que trouxemos no post ajudam a companhia a criar uma cultura organizacional inovadora com efeitos positivos e duradouros em todas as suas atividades corporativas.

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